Unidas na doação de cabelo para pacientes de câncer

 

Presas e servidoras do Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto abraçam a causa

Muita emoção e empatia invadiram o salão de cabelereiro instalado no Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte nesta terça-feira (30/4). Dezenove presas, duas servidoras e uma visitante cortaram seus cabelos e doaram para produção de perucas que serão usadas por pacientes com câncer, atendidos pelos Voluntários do Mário Pena (Volmape). A iniciativa partiu de duas presas que queriam fazer a doação e acabaram contagiando a todos. A ação ganhou o nome de Dia da Solidariedade e contou com apoio de parceiros da unidade, como o Tio Flávio Cultural e o projeto ComPaixão da Rede Batista. Foram reunidas seis cabelereiras voluntárias, que se dispuseram a realizaram os cortes.

Para a diretora de Atendimento da unidade prisional, Maristela Andrade, o fato de a ideia partir das presas enriqueceu ainda mais a ação.

“No início, poucas quiseram e, na última hora, o número mais que dobrou. É muito bom ver o quanto elas entenderam sobre a importância de fazerem a doação. Eu vejo que é uma forma de elas ajudarem a sociedade para a qual, de alguma forma, elas fizeram mal. Eu acho que é uma remissão de erros, de mostrarem que elas são capazes de ajudar outros, independente de onde estejam”.

Tudo começou com Alessandra Lúcia Pereira, 47 anos, presa há quase cinco anos, que escreveu uma carta para a direção, pedindo para doar o cabelo. Ela viu uma sobrinha perder a vida por causa da leucemia. Na época, ao frequentar o hospital, presenciou a situação de outros pacientes e crianças que perdiam o cabelo e fez uma promessa de que, um dia, doaria suas madeixas. Quatro anos sem cortar o cabelo lhe rendeu uma longa cabeleira, que agora ganhará outra utilidade. “Estou muito feliz por, enfim, fazer isso.  Me sinto uma pessoa melhor sabendo que eu motivei tudo isso aqui e que tantas pessoas serão beneficiadas”.

Perucas

Os cabelos doados serão enviados para o Rio de Janeiro, onde serão produzidas as perucas. Depois de prontas, elas são encaminhadas para dois camarins que ficam nos setores oncológicos dos hospitais Mário Pena e Luxemburgo. “As pacientes saem da sessão de quimioterapia e dão de cara com o camarim, onde ficam duas voluntárias para recebê-las e ajudarem nas escolhas das perucas. Elas assinam um papel se comprometendo a devolver a peruca. Muitos acham que elas não devolvem, mas todas são devolvidas, porque é uma felicidade que, quem passou por isso, quer compartilhar com outros” conta a voluntária do Volmape, Maria Luiza Salvo.

A voluntária ainda destaca como uma ação deste tipo, partindo de uma penitenciária, torna-se tão especial. “É muito difícil o desapego. No caso delas, que não têm nada, nem a roupa, o cabelo é das poucas coisas a que elas ainda se apegam. Por isso, viemos aqui antes da ação, para incentivar a doação”. A associação, que existe desde 1974, realiza várias ações com pacientes oncológicos do SUS, como doação de manteigas de cacau, hidratante corporal, roupas e toucas e, ainda, servindo lanches.

Tio Flávio Cultural

O movimento tem nove anos e atua em 27 áreas, com 65 grupos de ação de voluntários, que realizam diversos projetos sociais. Há quatro anos, o Tio Flávio Cultural está presente em unidades prisionais, e há três tem trabalhado com pacientes oncológicos. Nesses lugares, o movimento sempre busca levar uma palavra de carinho e incentivo para quem enfrenta os momentos difíceis.

O Dia da Solidariedade teve grande apoio do Tio Flávio Cultural, que uniu os dois mundos: Sistema Prisional e tratamento oncológico. “Nós fomos convidados pela unidade para ajudar na ação e sabemos o quão importante essa doação é para os pacientes. Isso é um tipo de afago, de acolhimento, que vem de um lugar inesperado, uma penitenciária. E, ainda, partir delas é algo muito grandioso. Elas estão felizes por doarem e ganharem um novo visual” afirma Flávio Tófani, idealizador do movimento.

Divulgação da Noticia – Site Agencia Minas – Foto Crédito: Divulgação Ascom/Seap