São Paulo tem 69 mortes por H1N1 em 2016

Capital paulista registrou mais de 3 mil casos de SRAG desde o começo de 2016; 509 foram causados pela gripe H1N1

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A cidade de São Paulo registrou 3.182 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) desde o início do ano, com 167 mortes. Segunda a Secretaria Municipal de Saúde, do total de casos, 509 foram causados pela gripe A – H1N1, responsável por 69 das mortes.

Na última semana, foi registrada uma redução na evolução da circulação dos vírus na capital paulista. Os casos de SRGA caíram de 691, na 14ª semana epidemiológica, para 413 na 16ª semana, que se encerrou no último dia 10. Os hospitais da rede municipal atenderam a 228,7 mil pessoas com sintomas de gripe na última semana, contra 262,1 mil na 14ª semana.

A secretaria informou ainda que com a distribuição de 3,12 milhão de doses, atingiu 99,3% do público-alvo da campanha de vacinação deste ano. A imunização está destinada a crianças maiores de 6 meses e menores de 5 anos, gestantes, mulheres que deram à luz há menos de 45 dias, indígenas, idosos e profissionais da saúde. Em 2015, receberam a vacina 81,72% dessas pessoas.

Estado
O estado de São Paulo teve, desde o início do ano, 11,2 mil casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), ocasionando 764 mortes. Segundo os dados divulgados pelo Centro de Vigilância Epidemiológica do estado, a gripe A – H1N1 causou 1.130 desses casos, levando 202 pessoas à morte.

As ocorrências da doença estão distribuídas por 169 municípios. No entanto, 618 (54,7%) das infecções por H1N1 ocorreram na Grande São Paulo, que também teve 50,5% das mortes (102 casos).

Entre as vítimas, 36 era gestantes não vacinadas e 133 tinham outras doenças que debilitam o paciente, como as cardiovasculares, o diabetes, a pneumopatia e a obesidade.

Número de mortes por H1N1 cresce 41% em uma semana no País

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Até 30 de abril, o Brasil registrou 2.085 casos de H1N1, com 411 mortes, informou o Ministério da Saúde nesta segunda-feira (9). No último boletim divulgado pela pasta, 290 pessoas haviam morrido pelo vírus – ou seja, houve uma alta de 41% em apenas uma semana. A região Sudeste concentra o maior número de casos (1.279), sendo 1.130 somente no Estado de São Paulo.

Com relação ao número de mortes, SP registrou 202, seguido por Rio Grande do Sul (31), Goiás (22), Rio de Janeiro (22), Santa Catarina (21), Paraná (16), Minas Gerais (13), Pará (13), Bahia (13), Espírito Santo (11), Paraíba (8), Mato Grosso do Sul (8), Pernambuco (7), Ceará (5), Rio Grande do Norte (5), Distrito Federal (5), Mato Grosso (3), Amapá (2), Alagoas (2) e Maranhão (1).

Segundo o Ministério da Saúde, os Estados receberão 100% das doses da vacina até sexta-feira (13) para imunizar as 49,8 milhões de pessoas que fazem parte do público-alvo da campanha, que inclui crianças, idosos, profissionais da área de saúde e gestantes. Até o momento, 49,5 milhões de doses do medicamento foram entregues aos Estados, o que representa 93% do total.

Para a campanha, que vai até 20 de maio, foram adquiridas 54 milhões de doses da vacina, que protege contra os três subtipos do vírus recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para 2016 (A/H1N1, A/H3N2 e influenza B).

Para receber a dose, é importante levar o cartão de vacinação e o documento de identificação. As pessoas com doenças crônicas ou com outras condições clínicas especiais também precisam apresentar prescrição médica, especificando o motivo da indicação da vacina.

Pacientes cadastrados em programas de controle das doenças crônicas do Sistema Único de Saúde (SUS) deverão se dirigir aos postos em que estão registrados para receberem a dose, sem necessidade de prescrição médica.

Vacina

Estudos demonstram que a vacinação pode reduzir entre 32% a 45% o número de hospitalizações por pneumonias e de 39% a 75% a mortalidade por complicações da influenza.

Para esclarecer algumas questões sobre a gripe, o Coração & Vida conversou com a médica infectologista Tania Strabelli, especialista em doenças infecciosas e parasitárias. Confira:

Quem toma a vacina da gripe está imediatamente imunizado contra a H1N1?

Não, nem contra os outros tipos de gripe. Normalmente, a vacina leva de duas a três semanas para fazer efeito. Quando o paciente já tomou a vacina em outros anos, esse tempo de resposta cai para dez dias. É por isso que muita gente que toma a vacina e fica gripado logo em seguida acha que a vacina não funciona ou que ela é que causou a gripe. Na realidade, a pessoa já estava incubando um quadro de gripe e acaba ficando doente.

Quem tomou a vacina do ano passado ainda está imunizado contra H1N1?

Normalmente não está. O que se sabe é que a imunidade vai caindo ao longo dos meses, mas essa curva não é exatamente conhecida. Quando vai chegando perto da próxima campanha de vacinação, algumas pessoas estão protegidas e outras não.

O Ministério da Saúde afirmou que a taxa de adesão da população de São Paulo à campanha de vacinação contra a gripe em 2015 foi a menor nos últimos três anos e ficou abaixo da média nacional. Isso pode estar relacionado ao aumento dos casos em 2016?

Pode ter sido por isso que o surto começou mais cedo, mas ainda não sabemos exatamente a resposta. O Instituto Adolfo Lutz está sequenciando os vírus e assim saberemos. O ideal é que as pessoas dos grupos de risco estejam vacinadas. Quanto mais as pessoas se vacinarem, menor a incidência da doença.

A vacina da rede privada é mais eficaz do que a da rede pública?

A diferença neste ano é que a pública é trivalente, com três cepas do vírus Influenza. A particular é quadrivalente, com quatro cepas, mas com relação à H1N1 não há diferença, as duas imunizam da mesma forma.

E quem foi contaminado, o que deve fazer para evitar o contágio de outras pessoas?

Além de procurar atendimento médico, as pessoas que estão doentes não devem sair de casa. Quanto mais elas circulam, mais disseminam o vírus, por isso que é importante ficar em casa ingerindo bastante líquido, repousando e se alimentando corretamente enquanto tiveram enfrentando algum quadro de doença respiratória ou com febre. Crianças doentes também não devem ser levadas à escola. Reduzir a circulação de pessoas doentes ajuda diminuir a incidência do vírus.