Relatório revela crueldade na política de “Tolerância zero” contra famílias imigrantes na fronteira

Um relatório mostrou que o governo Trump planejava separar crianças imigrantes de seus pais no período de cinco meses antes de ser forçado a encerrar em definitivo a sua política “tolerância zero” aplicada ao longo da fronteira sul.

No início de maio de 2018, mês em que o governo começou a implementar esta política na fronteira com o México, o Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, sigla em inglês) disse que seriam mais de 26.000 famílias separadas em setembro daquele ano, de acordo com um relatório divulgado pelo Inspetor Geral do Departamento de Segurança Interna, na quarta-feira, dia 27.

Esta revelação representa a primeira estimativa oficial do número de famílias que foram separadas pela política de Trump.

Na época, os funcionários se comprometeram com a implementação da política em larga escala, mas um juiz ordenou que esta atividade fosse interrompida e que o governo reunificasse as famílias.

“Este relatório retira a cortina e expõe a crueldade do governo, a incompetência e indiferença com os pais sob a política de separação de crianças de Trump”, disse a congressista democrática Carolyn Maloney, presidente democrata do Comitê de Supervisão da Câmara.

O diretor da União Americana das Liberdades Civis (ACLU, sigla em inglês), ALee Gelernt, disse que quando a a entidade descobriu, imediatamente denunciou os detalhes “chocantes” do relatório de vigilância. “O governo estava prestes a separar até 26.000 famílias”, disse ele ressaltando que se “não pelo desafio legal e clamor público, o governo poderia ter tido sucesso”.

Embora algumas famílias imigrantes detidas estivessem separadas em administrações anteriores, principalmente quando as autoridades determinaram que os pais representavam um perigo para seus filhos, a política de Trump era para que todos que cruzassem a fronteira deveria se separado de seus filhos.

Depois de implementar um programa piloto em El Paso, no Texas, final de 2017, as autoridades começaram a aplicar a política em toda a fronteira em maio de 2018.

Após uma manifestação maciça do público maciço, o presidente assinou uma ordem em junho para interromper a prática. Dias depois, a juíza Dana Sabraw, distrito do sul da Califórnia, ordenou que o governo interrompesse esta política e reunificasse famílias separadas, “decretando que elas não deveriam ser separadas”.

De acordo com dados divulgados, mais de 2.800 crianças foram separadas de seus pais sob a política de “tolerância zero” no final de 2018. No mês passado, o governo disse em um tribunal federal que outras 1.500 crianças imigrantes foram separadas de seus pais antes que o “Tolerância Zero” fisse totalmente implementado. Isso significa, de acordo com a ACLU, que pelo menos 4.300 famílias foram separadas pelo governo Trump antes da decisão de Sabraw.

Além disso, pelo menos mil crianças foram separadas de seus pais após a juíza ter emitido sua decisão.

Mas no relatório divulgado na quarta-feira, o inspetor geral do DHS disse que o departamento não consegue calcular um número exato de famílias de imigrantes que foram separadas durante sua repressão à fronteira com “Tolerância Zero”.

Ele também afirmou que não possível definir um número exato de quantas famílias foram reunificados após a separação.

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