Pandemia: O que acontece se um candidato à presidência sair da disputa?

A hospitalização de Donald Trump por coronavírus, apenas um mês antes da votação em 3 de novembro, levantou a questão do que aconteceria se tal evento ocorresse

Um candidato à presidência dos EUA nunca morreu ou teve que se retirar de uma disputa na Casa Branca tão perto de uma eleição. Mas a hospitalização do presidente Donald Trump por coronavírus, apenas um mês antes da votação em 3 de novembro, levantou a questão do que aconteceria se tal evento ocorresse.

Trump tem 74 anos de idade e, embora seu oponente Joe Biden esteja relativamente bem de saúde aos 77, ele é o candidato democrata mais velho de todos os tempos. Aqui segue uma análise em alguns dos cenários potenciais no caso de um nomeado sair da disputa presidencial:

Atrasar a eleição presidencial?

Improvável. O Congresso marcou a data da eleição e esta já está agendada, conforme a legislação norte-americana para a terça-feira (3) após a primeira segunda-feira de novembro. Tanto o Senado controlado pelos republicanos quanto a Câmara dos Representantes de maioria democrata teriam que concordar com um adiamento.

“Não vejo isso acontecendo”, disse Capri Cafaro, ex-membro democrata do Senado Estadual de Ohio que leciona na American University. “É improvável que uma maioria democrata queira adiar a eleição”.

Mesmo durante a Guerra Civil entre os estados do norte e sul dos EUA, a eleição de 1864 foi realizada conforme programado, com Abraham Lincoln vencendo outro mandato.

Um candidato pode ser substituído?

O Partido Republicano de Trump e o Partido Democrata de Biden têm regras que definem como preencher uma vaga na chapa presidencial caso ela ocorra. No caso do GOP de Trump, os 168 membros do Comitê Nacional Republicano (RNC) poderiam votar para selecionar o substituto.

O RNC também poderia reunir novamente sua convenção nacional de mais de 2.500 delegados para selecionar um novo candidato, mas a pressão de tempo provavelmente torna isso impraticável.

Uma maioria simples seria suficiente para escolher um novo candidato em qualquer um dos cenários. No caso dos democratas, um novo candidato presidencial seria selecionado pelos quase 450 membros do Comitê Nacional Democrata.

Um candidato substituto pode estar na cédula?

Provavelmente não. “O problema neste momento é que estamos tão adiantados nas eleições de 2020 que não apenas as pessoas votaram, mas as cédulas já foram impressas”, disse Cafaro.

“Você realmente não tem tempo suficiente para reimprimir cédulas que dizem Mike Pence ou Kamala Harris”, disse ela, referindo-se aos indicados republicano e democrata à vice-presidência, respectivamente.

Mais de 3,1 milhões de americanos já votaram, de acordo com uma contagem feita pelo Projeto Eleições dos EUA na Universidade da Flórida. Além disso, os prazos para acesso à cédula variam de estado para estado e já foram aprovados na maioria dos casos.

E o Colégio Eleitoral?

Embora os EUA tenham voto popular, o presidente é eleito por maioria absoluta dos 538 membros do Colégio Eleitoral. Em todos os estados, exceto em dois (Nebraska e Maine), o candidato que ganha a maioria do voto popular naquele estado ganha todos os eleitores daquele estado.

Nada na Constituição obriga os eleitores a votar de uma forma ou de outra, mas a Suprema Corte decidiu em julho que os estados podem multar os chamados “eleitores infiéis” que não respeitam o voto popular. Os membros do Colégio Eleitoral se reunirão em seus respectivos estados no dia 14 de dezembro e votarão para presidente e vice-presidente.

No caso de um candidato morrer ou desistir antes que o Colégio Eleitoral dê seus votos, as coisas podem ficar complicadas.

Leis estaduais individuais entram em jogo, mas cada partido poderia teoricamente direcionar seus eleitores para votar em um candidato substituto. Em 6 de janeiro de 2021, o Congresso certificará os resultados, com o vencedor empossando-se como presidente em 20 de janeiro.

Divulgaçao da Noticia – Site BrazilianTimes.com – Fonte Redação Brazilian Times – Foto Reproduçao Imagem Internet – Mensage Donald Trump (esq.) tem 74 anos de idade e, embora seu oponente Joe Biden (dir.) esteja relativamente bem de saúde aos 77, ele é o candidato democrata mais velho de todos os tempos