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Mulher relata sistema desumano em centro de detenção para imigrantes

Todo mundo viu as imagens de imigrantes, refugiados e requerentes de asilo “detidos” nos Estados Unidos que foram levados sob custódia por agentes do Departamento de Imigração e Alfândega (ICE, sigla em inglês), e mantidos por meses, senão anos.

Mas é difícil entender o quão disfuncional e desumano o sistema americano se tornou.

Este é o caso da canadense Cheryl Clark, uma “garota educada”, com traços norte-americanos, que foi presa em uma operação policial e acabou detida por 10 meses no centro de Eloy, Arizona.

Ela foi rápida em aceitar a culpa. “Meu visto expirou, então eu estava naquele país ilegalmente”, disse.

Mas, depois de 16 anos no Arizona, administrando uma empresa e até protegendo e cuidando uma criança de uma mãe viciada em drogas, ela não pensou em questões imigratória como um problema – especialmente depois que uma verificação de antecedentes policiais a liberou para adoção, apesar da falta de um visto válido.

De fato, o visto expirou seis anos antes dela ser detida.

“Eles não estão procurando a garota branca”, explicou ela. A grande maioria dos detidos é hispânica – principalmente refugiados da Guatemala e Honduras ou mexicano-americanos naturalizados que foram trazidos para o país quando crianças, mas carecem de documentação.

Clark foi oradora convidada de uma reunião do Rotary Club Innisfil, que aconteceu no dia 8 de janeiro. Ela contou a sua história de detenção, pela primeira vez, cerca de 16 meses após sua libertação e deportação ao Canadá.

Quando ela foi parada, os oficiais pediram seus documentos e depois a levaram sob custódia. Mas ela pensou que “como canadenses, tinha 180 dias” nos EUA, antes de retornar ao Canadá.

Ela imaginou que tudo acabaria dando certo – especialmente porque pagava impostos há 16 anos e não tinha acusações criminais.

Em vez disso, ela foi “algemada, acorrentada à barriga e acorrentada ao tornozelo, mesmo com 53 anos de idade” e levada para detenção. “Depois que eles nos detêm, ficamos atrás de um muro de concreto. Não há internet, telefone, acesso a nada”, disse ela.

Clark observou que, enquanto alguns detidos enfrentam acusações criminais, “muitas dessas pessoas não possuem nenhuma acusação contra elas – e mesmo assim são tratadas como criminosas”.

Pelo menos Clark falava inglês e teve a educação necessária para entender e navegar no processo, ao contrário da maioria dos detidos. Como ela também era “relativamente fluente” em espanhol, acabou ajudando muitos encarcerados, traduzindo a papelada complexa e fornecendo conselhos.

Toda a papelada está em inglês. Algumas das palavras são tão complexas e confusas que representam um desafio mesmo para quem fala inglês. Em relação aos refugiados e solicitantes de asilo, alguns dos quais falavam dialeto indígena e eram analfabetos a mulher destacou que “eles não têm esperança. O Sistema está configurado para que eles falhem”.

Muitas vezes, as mulheres eram informadas de que, se assinassem os documentos, poderiam ver seus filhos. Elas assinaram, mas depois descobriram que assinaram um pedido concordando com a deportação. Uma das primeiras coisas que Clark disse aos detidos foi: “Não assinem nada”.

Clark disse que encontrou o sistema cheio de desigualdades. Inteiramente judicial, a maioria das decisões foi negativa – mesmo quando crianças estavam envolvidas. E era quase impossível para a maioria dos detidos depositar uma fiança e deixar a detenção.

Ela destaca que durante todos os seus 10 meses de encarceramento, viu apenas uma reivindicação de asilo ser aprovada – apesar do fato de que “essas pessoas estão literalmente fugindo por suas vidas”, fugindo da tortura, violência de gangues e cartéis na Guatemala e Honduras.

A imigrante reafirmou que o sistema é desumano e não há um tratamento justo para os imigrantes.

Divulgação da Noticia – Site BrazilianTimes.com  – Fonte: Redação Brazilian Times – Mensagem Cheryl Clark fala sobre os 295 dias detida em centro para imigrantes. – Foto Reproduçao Imagem Internet