Junho Vermelho incentiva a doação de sangue no país

Estoques de sangue estão quase acabando em várias cidades.
Férias do meio do ano e o frio costumam afastar os doadores.

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Os estoques de sangue para doação estão quase acabando em muitas cidades brasileiras. E para despertar a atenção da população, junho passou a ser chamado de Junho Vermelho.

Foi a primeira vez.

“Eu mesma estava assustada para vir”, disse a dona de casa Eliene Moura Medeiros.

Mas foi sem susto e sem sofrimento.

Eliene foi à Fundação Pró-Sangue, em São Paulo, porque o marido dela está com cirurgia marcada e precisa de doação. E agora que viu que é simples, diz que volta.

“A nossa missão é conscientizar a população de que a doação tem que ser um ato habitual contínuo, e não apenas uma situação pontual porque um tio, um parente ou um amigo precisou de sangue”, explica Cyntia Arrais, médica hemoterapeuta da fundação.

A câmara deveria estar cheia de bolsas de sangue para dar conta de atender por três dias a necessidade de mais de cem hospitais. Mas está com prateleira vazia. Tem um pouco de sangue B positivo, A negativo e apenas uma gaveta com sangue do tipo O negativo. Dá para um dia de atendimento. O nível do estoque é considerado crítico e está desse jeito desde o começo do ano.

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A OMS, Organização Mundial da Saúde, recomenda que pelo menos 3% da população de um país sejam doadores. No Brasil, esse número é de 1,8%.

O sangue O negativo é o que mais precisa, porque pode ser usado em todo mundo numa situação de emergência. É o doador universal. E no Rio Grande do Sul esse tipo de sangue está em falta.

Em Minas Gerais também. E o estoque do O positivo segue caindo. Assim como em Goiás. Lá o número de bolsas de sangue do tipo O positivo está 87% abaixo do mínimo necessário.

As férias do meio do ano e o frio costumam afastar os doadores.

Em São Paulo, vários lugares ficarão iluminados de vermelho durante o mês todo para lembrar as pessoas da importância da doação.

Somente no Incor, o Instituto do Coração de São Paulo, são aproximadamente 700 transfusões num mês.

“Qualquer paciente que entre no hospital, que vá para um procedimento cirúrgico, nem que não seja emergência, às vezes ele precisa sangue. Doar sangue é um ato que você está salvando vidas e com segurança, porque não tem risco”, explica Roberto Kalil Filho, presidente do Incor.

Quem tem entre 16 e 69 anos, mais de 50 quilos e está saudável, pode doar.

Seu Giuseppe, 67 anos de vida e três pontes de safena, nunca doou sangue, mas agora teve que receber.

“Quando precisa é que a gente dá importância a essas coisas”, disse o vendedor Giuseppe Falco.

 Requisitos básicos

  • » Estar em boas condições de saúde.

  • » Ter entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido feita até 60 anos (menores de 18 anos, clique para ver documentos necessários e formulário de autorização).

  • » Pesar no mínimo 50kg.

  • » Estar descansado (ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas).

  • » Estar alimentado (evitar alimentação gordurosa nas 4 horas que antecedem a doação).

  • » Apresentar documento original com foto recente, que permita a identificação do candidato, emitido por órgão oficial (Carteira de Identidade, Cartão de Identidade de Profissional Liberal, Carteira de Trabalho e Previdência Social).

Bull Impedimentos temporários

  • » Resfriado: aguardar 7 dias após desaparecimento dos sintomas.

  • » Gravidez

  • » 90 dias após parto normal e 180 dias após cesariana.

  • » Amamentação (se o parto ocorreu há menos de 12 meses).

  • » Ingestão de bebida alcoólica nas 12 horas que antecedem a doação.

  • » Tatuagem / maquiagem definitiva nos últimos 12 meses.

  • » Situações nas quais há maior risco de adquirir doenças sexualmente transmissíveis: aguardar 12 meses.

  • » Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Tocantins são estados onde há alta prevalência de malária. Quem esteve nesses estados deve aguardar 12 meses.
    » Qualquer exame endoscópico (endoscopia digestiva alta, colonoscopia, rinoscopia etc); se com biópsia, é necessário avaliação do resultado: por 6 meses a 01 ano.
    » Extração dentária (verificar uso de medicação) ou tratamento de canal (verificar medicação): por 7 dias.
    » Cirurgia odontológica com anestesia geral: por 4 semanas.
    » Acupuntura: se realizada com material descartável: 24 horas; se realizada com laser ou sementes: apto; se realizada com material sem condições de avaliação: aguardar 12 meses.
    » Vacina contra gripe: por 48 horas.
    » Herpes labial ou genital: apto após desaparecimento total das lesões.
    » Herpes Zoster: apto após 6 meses da cura (vírus Varicella Zoster).

Bull Impedimentos definitivos

  • » Hepatite após os 11 anos de idade. *

  • » Evidência clínica ou laboratorial das seguintes doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue: Hepatites B e C, AIDS (vírus HIV), doenças associadas aos vírus HTLV I e II e Doença de Chagas.

  • » Uso de drogas ilícitas injetáveis.

  • » Malária.
  • * Hepatite após o 11º aniversário: Recusa Definitiva; Hepatite B ou C após ou antes dos 10 anos: Recusa definitiva; Hepatite por Medicamento: apto após a cura e avaliado clinicamente; Hepatite viral (A): após os 11 anos de idade, se trouxer o exame do diagnóstico da doença, será avaliado pelo médico da triagem.

Confira outros impedimentos à doação no link “Quem não pode doar”.

Bull Respeitar os intervalos para doação

  • » Homens – 60 dias (máximo de 04 doações nos últimos 12 meses).

  • » Mulheres – 90 dias (máximo de 03 doações nos últimos 12 meses).

Honestidade também salva vidas. Ao doar sangue, seja sincero na entrevista.