Jornal denuncia tortura e estupros de imigrantes na fronteira

O New York Times admitiu que muitos imigrantes latinos estão sendo estuprados por coiotes ligados a cartéis que os traficam em busca de empregos em cidades administradas pelos democratas. Sob a manchete, “Você precisa pagar com o seu corpo: o pesadelo oculto da violência sexual na fronteira”, o jornal relatou que Gladys, de 45 anos, mãe guatemalteca de quatro filhos, disse que foi sequestrada por contrabandistas armados depois de atravessar a fronteira e saltou de um carro para fugir.

Ainda de acordo com a história, ela foi capturada novamente e durante dias foi mantida prisioneira em um esconderijo em McAllen, no Texas, e forçada a fazer sexo com seis homens. “Eu pensei que seria melhor ter morrido quando cai do carro”, disse ela.

Jessica Vaughan, diretora de políticas governamentais do Center for ImmigrationStudies, disse que esta revelação “destaca a hipocrisia dos democratas ao alegar apoio aos imigrantes, mesmo quando eles são estuprados em massa”.

Ela acrescentou que os democratas protegem as rotas de imigração dos coiotes e “se eles realmente se importassem, estariam elaborando leis e tentando trabalhar com os republicanos para aprovar mudanças necessárias na lei de imigração para lidar com crise”.

Ela ainda afirmou que os democratas pró-imigração protestam contra a morte de crianças imigrantes na fronteira, mas “derramam lágrimas de crocodilo” enquanto encorajam os imigrantes a se arriscarem a ser vítimas de estupro”.

O New York Times afirmou que encontrou dezenas de casos documentados por meio de entrevistas com policiais, promotores, juízes federais e defensores dos imigrantes em todo o país, e também fez uma análise destes relatórios e registros judiciais no Texas, Novo México, Arizona e Califórnia.

A análise mostrou mais de 100 relatos documentados de abuso sexual sofrido por mulheres indocumentadas ao longo da fronteira nas últimas duas décadas.

Além disso, entrevistas com mulheres imigrantes e com aqueles que trabalham com elas ao longo da fronteira apontam para um grande número de casos que não são relatados ou não examinados, sugerindo que a violência sexual se tornou algo comum contra imigrantes que atravessam a fronteira.

O jornal também publicou um artigo anterior confirmando a afirmação do presidente Donald Trump sobre mulheres sendo amordaçadas por coiotes. Em 25 de janeiro, por exemplo, Trump disse aos repórteres:

“Traficantes de seres humanos – as vítimas são mulheres e crianças. Talvez em menor grau, acredite ou não, crianças. As mulheres são amarradas. Fita adesiva é colocada em torno de seus rostos, em torno de suas bocas. Em muitos casos, elas nem conseguem respirar. Elas são colocadas nas traseiras de carros, vans ou caminhões. Elas não passam pelo ponto de entrada… Eles não podem atravessar pelo posto de checagem, porque, se atravessarem, as pessoas verão quatro mulheres sentadas em uma van com fita adesiva em volta do rosto e em volta da boca”.

A alegação de Trump foi ridicularizada pelos meios de comunicação, mas em 28 de fevereiro, uma manchete de um artigo do New York Times afirmava: “Sim, havia fita adesiva: as angustiantes jornadas das migrantes do outro lado da fronteira”.

O NY Times descobriu que as mulheres indocumentadas foram gravadas e amarradas antes, durante e depois da travessia para os Estados Unidos. Talvez não com frequência, mas aconteceu.

“Eles amarravam meus pés e minhas mãos nas minhas costas”, disse uma mulher hondurenha de 45 anos em uma entrevista. Ela afirmou que foi estuprada depois que seus contrabandistas a forçaram à prostituição pouco depois de cruzar a fronteira ilegalmente, no Texas.

A mulher, que agora vive em Austin e pediu para ser identificada por seu primeiro nome, Lucy, foi mantida em cativeiro em um bordel improvisado na cidade de McAllen, no sul do Texas.

Em uma casa de trailers em Carrizo Springs, Texas, contrabandistas estupraram uma salvadorenha e torturaram dois homens – cobriram as mãos deles com sacolas plásticas, pondo as em um banquinho e martelando os dedos – tudo porque seus parentes não conseguiram pagar as taxas cobradas pela travessia.

Essa afirmação do New York Times é importante porque os grupos internacionais pró-migração minimizam o custo de suas políticas pró-migração, tanto no norte da fronteira dos EUA quanto no Mediterrâneo, onde muitos imigrantes afogam-se após serem encorajados a fazer a arriscada viagem.

Fonte: Redação BrazilianTimes