Governo vai colher DNA de imigrantes detidos na fronteira com o México

O Departamento de Justiça está propondo coletar amostras de DNA de milhares de imigrantes detidos na fronteira dos EUA com o México. A prática criaria uma base enorme de dados entre os solicitantes de asilo e outros imigrantes o que as autoridades federais dizem que será usada para ajudar as autoridades migratórias no combate à criminalidade.

O Procurador Geral de Justiça William Barr emitiu a diretriz, que estava programada para ser publicada no Registro Federal na terça-feira (22), com o objetivo de que as autoridades federais colham anualmente amostras de DNA de aproximadamente 748 mil imigrantes, incluindo solicitantes de asilo que se entregam nos pontos da Alfândega nos EUA.

Na diretriz proposta, Barr descreve as amostras de DNA como “impressões digitais genéticas” que podem identificar de forma única uma pessoa, “mas elas não revelam os traços, desordens ou disposição dos indivíduos”.

Os residentes legais permanentes (green card) e as pessoas que entrarem legalmente nos EUA não serão afetadas pela nova diretriz. A proposta será agora submetida ao período de 20 dias para comentários. Entretanto, ativistas defensores dos direitos dos imigrantes já denunciaram a proposta, alegando que a coleta de material genético na fronteira poderá haver implicações para os parentes que vivem nos EUA.

“Esta é a informação mais íntima que você pode recolher de alguém. Trata-se informações que você pode utilizar para rastrear membros da família, conhecer a histórias deles”, disse Naureen Shah, membro da American Civil Liberties Union. “Nós estaremos coletando isso tem a vontade das pessoas”.

Outros advogados que representam imigrantes também criticaram a proposta, alegando que ela gera preocupações e não impedirá que os imigrantes entrem nos EUA.

“É difícil para mim acreditar que que uma mulher que percorreu o trajeto de 1.600 milhas (2.5 mil KM) em sandálias de dedo arrebentadas, com filho na cintura, fazendo tudo o que pode e sacrificando tudo; será impedida por uma coleta de DNA”, disse o ativista e advogado Henry Sias, da Filadélfia (PA).

De acordo com o Brazilian Voice, o DOJ planeja enviar as amostras recolhidas de DNA para uma base de dados do FBI conhecida como “Combined DNA Index System”, a qual já contém quase 14 milhões de pessoas condenadas por crimes e 3.7 milhões de pessoas que já foram presas. Os nomes e informações dos imigrantes não serão arquivados com as amostras de DNA para proteger a privacidade deles e o FBI somente terá acesso à informação se ela tiver ligação com um crime. As autoridades calculam que os custos com o novo programa ficará em torno dos US$ 13 milhões ao longo dos próximos 3 anos. Os gastos incluem horas extras dos agentes da Patrulha da Fronteira (CBP) e a confecção de kits para a retirada e armazenamento do material genético aos agentes ao longo da fronteira.

Sias detalhou que colher as informações do DNA de uma pessoa antes que ela seja condenada de ter cruzado clandestinamente a fronteira equivale a invasão de privacidade, conflitando com o sistema de justiça criminal.

Divulgação da Noticia – Site BrazilianTimes.com – Fonte: Redação – Brazilian Times – Foto Reprodução Imagem Internet

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