Feira de Agricultura Familiar em Belo Horizonte valoriza produtos de Brumadinho e região

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Produtores rurais de Brumadinho e municípios vizinhos serão destaque na próxima Feira da Agricultura Familiar, que é realizada semanalmente na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte.  Ela vai marcar os seis meses da tragédia e será promovida na sexta-feira (26/7), das 10h às 14h, no subsolo do Edifício Gerais. A feira é organizada pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e Emater-MG.

A ideia é valorizar a agricultura familiar da região e mostrar que os produtos são de qualidade, pois não foram cultivados em áreas atingidas pela lama, após o rompimento da barragem da Vale, em janeiro deste ano.  Produtores dos municípios de Brumadinho, Mário Campos, Betim, Sete Lagoas e Esmeraldas vão se juntar a agricultores de outros municípios que já participam regularmente da feira. Ao todo serão 23 barracas.

“Esses produtores de Brumadinho e região não utilizam a água do Rio Paraopeba, que foi atingido pela lama da barragem que se rompeu.  A água usada vem de outros córregos, acima do Paraopeba, ou de poços artesianos, longe da área atingida. No caso dos produtores de tangerina, a maioria nem utiliza irrigação”, afirma o coordenador técnico regional de Horticultura da Emater-MG, Wagner Fani.

Os participantes da feira foram selecionados pelos técnicos locais da Emater-MG de cada município. Serão comercializados limão, tangerina, folhosas, mandioca, temperos, feijão, conservas, doces e cachaça.

Um dos destaques da feira será a produção do Assentamento Pastorinhas, de Brumadinho. Três famílias produzem hortaliças agroecológicas, sem agrotóxicos. “Este grupo está sendo trabalhado pela Emater-MG desde fevereiro para obter a certificação oficial de produtos orgânicos. É uma parceria entre a Emater, o IMAe associação de produtores. Será a primeira certificação de produção coletiva da Região Metropolitana de Belo Horizonte, pois será em nome da associação do Assentamento Pastorinhas. A expectativa é obter o selo de produtos orgânicos até o final do ano”, afirma Wagner Fani.

A secretária municipal de Agricultura de Brumadinho, Andressa Rezende Martins, conta que, nos primeiros meses após a tragédia, os prejuízos foram grandes por causa do receio dos consumidores. “Alguns produtores voltaram da Ceasa com os caminhões cheios de produtos, pois as pessoas evitavam comprar alimentos vindos de Brumadinho, com medo de contaminação.  Agora a situação começa a normalizar.  Esta feira é muito bacana porque podemos comprovar que nossos produtos são de qualidade, produzidos longe da área por onde passou a lama”, diz.

Ela explica que uma das ações que também contribuíram para a retomada das vendas dos produtores de Brumadinho foi a liberação de R$ 300 mil pelo Ministério da Cidadania, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).  Ele é voltado para compra de produtos alimentícios da agricultura familiar que são doados para entidades socioassistenciais. “Os produtos são acompanhados por nossos técnicos e pela Emater. A Vale também está acompanhando. Aqueles produtores que utilizam a irrigação usam a água de outras bacias de captação. Não é água do Paraopeba”, diz a secretária.

O produtor Ivan Queiroz estará na feira da Cidade Administrativa. Ele planta tangerina, mandioca e limão em Brumadinho. A propriedade fica a 15 quilômetros do local do acidente e as lavouras não são irrigadas. Ele conta que, mesmo assim, teve muita dificuldade para vender a produção na Ceasa. Mas que, aos poucos, a situação está melhorando.

“Deixei de colher metade da minha produção de mandioca, porque não achava comprador. Agora está melhorando um pouquinho. As pessoas estão perdendo o medo e entendendo que as lavouras não foram atingidas. Tenho uma grande expectativa com a feira, que vai ajudar a mostrar que nosso produto tem qualidade”, diz.

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