Elas fizeram a diferença na tragédia de Brumadinho

Servidoras estaduais, de áreas diversas, representam as centenas de mulheres que ajudaram vítimas e familiares

Karla Lessa
Major e piloto do Corpo de Bombeiros

“É o meu trabalho, mas a repercussão e o fato de ter sido ao vivo mostrou para todos como é importante estar no lugar e hora certos. Isso é muito gratificante”.

Naquele dia, ela foi a primeira a chegar ao local da tragédia, com mais cinco bombeiros. Diante da extensão da tragédia, não teve dúvidas e decidiu, em conjunto com os colegas, deixar o helicóptero o mais leve possível para fazer o maior número de resgates.

Além do treinamento, sinergia e habilidade, a bombeiro fala que é preciso ter medo, pois ele é quem limita a segurança das vítimas e dela própria.  Apesar da gravidade da tragédia em Brumadinho, a major lembra que já esteve em situações de risco de morte, até mesmo com possibilidade de pane, no momento de um resgate.

“Não ter medo é perigoso”, alerta. Major Karla diz que espera que outras mulheres não desistam de sonhos e busquem realizar o que quiserem. “Podemos tudo “, conclui.

“A tragédia de Brumadinho foi, com certeza, a ação de maior envergadura de que participei. Não só pelo número de mortos, mas também pela enorme carga emocional exigida”, diz a major, piloto do Corpo de Bombeiros e primeira comandante de aeronaves do Brasil. Ingressou na corporação depois de ouvir a palestra de um bombeiro cadete na UFMG, onde cursava Engenharia Química. Não teve dúvidas: trancou a matrícula e se inscreveu no concurso público para Formação de Oficiais do Corpo de Bombeiros.

Nesses 20 anos, a major Karla passou por vários treinamentos, até se decidir, em 2009, se tornar piloto. Novamente se inscreveu em um concurso interno, sendo aprovada, após ser submetida a testes físicos, psicológicos, práticos e teóricos.

Casada, diz que a maternidade ainda não faz falta. “Foi opção não ter filhos. O meu trabalho, talvez, ficasse muito mais difícil, por saber que em casa, além do marido, deixei um filho”, diz, admitindo que nada é definitivo.

Site Agencia Minas – Foto Major Karla Lessa (Crédito: Gil Leonardi/Imprensa MG)