Brasileiro que sofreu assédio sexual sob custódia do ICE luta para ficar nos EUA

O brasileiro Diego Wagner Nunes foi deportado no ano de 2012 depois de ter um pedido de asilo negado nos Estados Unidos. Ele entrou em contato com a redação do jornal Brazilian Times e contou como tudo aconteceu.

Um ano depois de sua deportação, seu pai e alguns parentes foram assassinados e outros desapareceram. De acordo com ele os motivos são razões políticas.Pelo fato de temer pela sua vida, Wagner tentou mais uma vez, em 2014, pedir asilo nos EUA. “Mas os oficiais disseram que brasileiro não tem direito neste processo e que apenas russos, cubanos e chineses podem fazê-lo”, afirmou.

Wagner destacou que desde o começo teve os seus direitos violados, pois o ICE não pode negar a ninguém o direito de pedir asilo, principalmente pelo fato de este alguém ser brasileiro. “Sabendo que eu era amparado por lei, me neguei a assinar a deportação voluntária e eles me encaminharam para um juiz de imigração”, explicou. “O magistrado me disse que brasileiros também têm direito”, continuou.

O problema, de acordo com Wagner, é que devido a uma deportação em 2004 e outra em 2012, ele terá dificuldades para obter um Green Card e mesmo que seu pedido de asilo seja aceito e “retirada a deportação”, o Departamento de Imigração e Alfândega (ICE) poderá deportá-lo a qualquer momento. “Além disso, estas deportações também interferiram em meu pedido de perdão”, acrescentou.

Durante este tempo, Wagner se casou e acabou tentando se legalizar, mas durante a entrevista de casamento o agente que o entrevistou disse que “o brasileiro dirigia com carteira internacional e que poderia matar alguém nas ruas”. O oficial também afirmou que imigrantes compram carteiras falsas em uma praia de New Jersey e são um perigo para a comunidade. “Minha carteira é verdadeira e nunca fui a NJ”, afirma.

Wagner afirma, também que quando estava sob custódia do ICE, sofreu dois abusos sexuais, “mas não pode denunciar porque não conseguia contato com as autoridades. “Não conseguia ligar, pois o número no centro de detenção não funcionava”, disse.

De acordo com Wagner, os investigadores disseram que havia provas para um caso de assédio, mas o outro não conseguiram provas suficientes. “Para o caso que não conseguiram provar, eles fizeram um registro policial alegando se tratar de acusação falsa”, disse ressaltando que para o outro, a polícia foi acionada no dia seguinte.

Wagner disse que ficou bastante assustado, pois temia retaliação. Ele garante que tem provas de ambos os casos e que havia uma pessoa com ele que é testemunha. Quanto ao segundo, ele tem várias cartas que descrevem o que realmente aconteceu. “Ainda sofro de depressão por causas destes incidentes do passado”, disse.

Ele acrescenta que além dos abusos que sofreu, não podia tomar banho e havia ratos que comiam sua comida. “O ICE sempre fala que leva a sério condutas errôneas de seus agentes e que denúncias de abuso sexual e estupros são investigadas muito a sério. Mas isso é mentira, pois eu presenciei a maneira como eles tratam os detentos. A agência se importa apenas em cobrir as atrocidades que acontecem nos seus centros de detenção”, disse.

Em relação a uma prisão ocorrida em 2012, Wagner explica que foi devido ao fato de seu empregador afirmar que não lhe pagaria mais e que ele teria que trabalhar de graça porque não tinha direitos.

“Fiz uma queixa no Departamento do Trabalho e o meu patrão me denunciou para o ICE”, disse, acrescentando que os funcionários do departamento não o ajudaram. “Eles falaram que eu preciso provar minha denúncia ou obter uma carta de alguém que já trabalhou na mesma companhia e sabia do ocorrido”, continuou. Ninguém me ajudou.

Sobre os casos de assédio na cadeia, as autoridades decidiram investigar e ficou provado que um ocorreu realmente e o outro não tinha provas suficientes para seguir com o processo.

Diante disso, os investigadores fizeram uma queixa e relataram aos policiais apenas o segundo caso. Wagner disse que ficou com medo e acabou não abrindo queixa, “Havia uma pessoa comigo que prova o primeiro caso e em relação ao segundo tenho várias cartas que descrevem como tudo aconteceu”, afirma.

Ele destaca que enquanto ficou detido pelo ICE e diante de tudo o que passou, acabou caindo em Depressão. “Além de sofrer violência sexual, não podia tomar banho, havia ratos que comiam nossa comida. Era nojento e humilhante”, acrescenta.

“O ICE prega que a agência leva a sério condutas ilegais cometidos em seus centros de detenção, como estupros e assédios sexuais. Mas não é verdade. Eu fui prova de como eles tratam as pessoas detidas. Quando denunciamos, a única ação deles é fazer de tudo para encobrir as atrocidades”, denuncia.

Toda esta situação levou Wagner a depor diante dos legisladores dos Estados Unidos, no Congresso, em favor da Lei S.1066, do Senado, e H.1610, da Câmara de Representantes. “Denunciei os dois assédios sexuais que sofri e somente depois disso que os casos começaram a ser investigados”, rala ressaltando que os Senadores Ed Markey e a Senadora Elizabeth Warren, ambos do Partido Democrata, estão atrás dos documentos da primeira investigação, a que não deu em nada.

Wagner ressaltou que é provável que os legisladores não encontrem os documentos, pois acredita que alguém conseguiu encobrir tudo. “Tenho cópias das denúncias e toda a documentação que provam que eles me falaram que eu não poderia pedir asilo por ser brasileiro”, afirma. “Além disso, tenho cartas e notas assinadas por quase 20 pessoas que provam os dois casos”, continua.

O brasileiro encoraja as pessoas a não desistirem dos seus sonhos, lutar pelos seus direitos e pela verdade. “Tenho medo de voltar ao Brasil e ser morto, como meu pai e parte da minha família, por razões políticas”, fala acrescentando que tem esperança e acredita na Justiça norte-americana.

Apesar de ter um caminho longo e difícil pela frente, Wagner afirmou que vai se agarrar em todas as gotas de esperança e meios que possam permitir que ele fique neste país. Devido a uma deportação em 2004 e outra em 2012, a sua aplicação para legalização através do matrimônio foi negada.

Mas agora ela está aberta e ele precisa ir ao Brasil para dar seguimento ao processo. “Mas eu não posso voltar pra lá, pois fui ameaçado várias vezes, recebi cartas e ligações amedrontadoras e várias vezes fui seguido por pessoas que queriam me matar”, afirma.

Apesar do Tribunal de Imigração estar negando a possibilidade de o brasileiro aplicar para pedido de asilo, ele garante que tem todas a provas de que se voltar ao Brasil poderá ser assassinado. “Meu advogado afirmou que o material que eu tenho que prova o que houve por lá é mais do que suficiente para dar entrada no processo. “Ainda acredito na justiça desse país, que é “terra da liberdade e a casa dos bravos”, como diz o seu hino.

Wagner não informou quando ocorrerá a sua próxima audiência perante um juiz de imigração, mas garantiu que fará de tudo para consiga o direito de permanecer os EUA.

Divulgaçao da Noticia – Site BrazilianTimes.com – Fonte Redação Brazilian Times – Foto Reproduçao Imagem Internet