Início Redação Valadarense deportado denuncia: “Em uma semana de detido, tomei banho e escovei...

Valadarense deportado denuncia: “Em uma semana de detido, tomei banho e escovei os dentes só duas vezes”

O jornal Brazilian Times relatou em edições anteriores o sofrimento que passaram os brasileiros detidos em um centro no Texas e foram recentemente deportados. Os maus-tratos vão desde a escassez de comida à falta de banho e material de higiene. Nesta semana, a revista Época relatou mais um ocorrido com um dos deportados deste grupo.

De acordo com a reportagem, o motorista Francisco Neto, de 33 anos, sentiu uma uma sensação de derrota quando pisou no Brasil, após a deportação, no dia 26 de outubro.

Ao lado de sua esposa e dois filhos, Neto deixou, na sexta-feira (18), a cidade de Guanhães, no interior mineiro, em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos. A família pegou um voo para a capital mexicana, Cidade do México, de onde partiram de ônibus até Ciudad Juárez. De lá, fizeram a pé a travessia para El Paso, no estado americano do Texas.

Não esperavam àquela altura serem pegos pela polícia e detidos por seis dias até o retorno ao Brasil. As noites maldormidas em um colchonete, passando fome e frio, começaram ali, precisamente às 17h12 do último dia 20, momento em que se entregaram às autoridades.

“Foi a última vez que olhei meu celular até voltar ao Brasil”, contou Neto, cujos pertences foram apreendidos. “Jogaram tudo fora. Só coisas de valor, como aliança, relógio e celular foram lacrados num saco”, completou.

Ele e a família foram levados primeiro a uma “sala pequena e gelada”. Não tinham colchão nem coberta; restava aguardar no cimento. Foram cerca de seis horas no local até serem transferidos a uma sala maior, compartilhada com mais de 80 imigrantes, a maioria, brasileiros. A relação entre o grupo era amigável. “Só quando fomos para lá é que ganhamos colchonete e lençol. Era uma tenda com zero conforto”, relatou o mineiro.

Faziam três refeições por dia. O café da manhã, bem cedo, o almoço e um lanche no fim da tarde. Sem poder guardar a comida, sentiam fome durante algumas horas. No cardápio, pouca variedade. “Comida é o que te dão. Para mim, a qualidade não era boa, mas nosso costume de alimentação é diferente”, disse Neto, sem saber precisar qual era o menu. “Era comida típica deles. Teve gente que reclamou de ter comida estragada, mas eu não comi, então não posso afirmar”, acrescentou.

Os brasileiros sofreram também com a higiene. À disposição, havia banheiros químicos. Mas havia limite para tomar banho e escovar os dentes. “Em quase uma semana só tomei banho e escovei os dentes duas vezes. E a segunda foi no dia em que nos chamaram para a viagem”, contou Neto.

Apesar do tratamento educado por parte dos policiais, eram vigiados 24 horas por dia. Os guardas costumavam fazer chamadas de madrugada, dificultando o sono já atrapalhado pela luz acesa em tempo integral. Sem relógio, nem sequer conseguiam ter noção do horário.

Quando foram acordados na sexta-feira (25), não supunham que seriam deportados. O comunicado que receberam era que seguiriam adiante. A esperança de ingressar no país foi frustrada ao pousarem no aeroporto em Belo Horizonte. A ficha caiu quando um dos deportados foi preso pela Polícia Federal — um homem condenado por homicídio qualificado cometido em Governador Valadares (MG) em 2000.

Sem trabalho, o motorista de caminhão aspirava a proporcionar uma qualidade de vida melhor à esposa, que faz doces para festas, e aos filhos de 10 e 3 anos, cujos nomes preferiu não revelar. “Muita dificuldade aqui no país. A gente não consegue as coisas. Queria dar estudo aos meus filhos. O que o Brasil não oferece para a gente, buscamos lá”, explicou.

Divulgaçao da Noticia – Site BrazilainTimes,com – Fonte: Redação Brazilian Times – Foto Reproduçao Imagem Internet.